INTRODUÇÃO
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A Quaresma é um período litúrgico de suma importância na vida da Igreja, constituindo quarenta dias de preparação espiritual para a celebração da Páscoa, centro e ápice do Ano Litúrgico. É tempo de graça, marcado pela penitência, pela escuta atenta da Palavra e pela conversão sincera do coração.
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A tradição dos quarenta dias remete aos grandes acontecimentos bíblicos: os quarenta anos do povo de Israel no deserto e, sobretudo, os quarenta dias de jejum de Nosso Senhor Jesus Cristo antes de iniciar sua missão pública (cf. Mt 4,1-11). Assim, a Quaresma configura-se como verdadeiro êxodo espiritual.
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A Igreja orienta os fiéis à prática intensificada da oração, do jejum e da esmola, conforme ensinado pelo Senhor no Sermão da Montanha (cf. Mt 6,1-18). Tais práticas não são meros exercícios exteriores, mas expressão de uma autêntica conversão interior.
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No contexto brasileiro, a promove anualmente a Campanha da Fraternidade, como expressão concreta da vivência quaresmal em dimensão social e eclesial.
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Para o ano de 2026, recomenda-se que as comunidades acolham com zelo o tema proposto pela CNBB, integrando-o às celebrações, homilias e ações pastorais, de modo que a Quaresma se torne ocasião de renovação pessoal e transformação social à luz do Evangelho.
TEMPO DAS CELEBRAÇÕES
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No Ano do Senhor de 2026, a Quaresma inicia-se na Quarta-feira de Cinzas, 18 de fevereiro, estendendo-se até a Missa Vespertina da Ceia do Senhor, na Quinta-feira Santa, 2 de abril.
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A Quaresma compreende quarenta dias de penitência. Liturgicamente, encerra-se antes da Missa da Ceia do Senhor, que introduz o Sagrado Tríduo Pascal.
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Divide-se em duas partes:
- Da Quarta-feira de Cinzas até o IV Domingo da Quaresma (Laetare): caráter mais acentuado de conversão.
- Do V Domingo da Quaresma em diante: meditação mais intensa da Paixão do Senhor.
QUARTA-FEIRA DE CINZAS
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A Quarta-feira de Cinzas é dia de jejum e abstinência obrigatórios, conforme o Código de Direito Canônico (cc. 1251-1252).
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A bênção das cinzas compete exclusivamente ao sacerdote ou diácono; a imposição pode ser realizada por ministros designados.
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A celebração segue as rubricas do Missal Romano. As fórmulas previstas são:
- “Convertei-vos e crede no Evangelho.”
- “Lembra-te de que és pó e ao pó hás de voltar.”
- Recomenda-se sobriedade nos paramentos e nos ornamentos litúrgicos.
ORNAMENTAÇÃO DO ESPAÇO CELEBRATIVO
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No Tempo da Quaresma é proibido ornamentar o altar com flores, exceto no IV Domingo (Laetare), solenidades e festas.
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A ornamentação do templo deve refletir simplicidade e austeridade.
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É permitido o uso do incenso, do Evangeliário e das velas conforme as normas gerais da liturgia.
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Mantém-se a presença do Crucifixo sobre o altar ou próximo a ele, conforme a tradição litúrgica.
VELATIO (VELAÇÃO DAS IMAGENS)
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Pode-se conservar o costume de cobrir as cruzes e imagens a partir do sábado que antecede o V Domingo da Quaresma (Passionis).
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As cruzes permanecem veladas até o fim da celebração da Paixão do Senhor na Sexta-feira Santa.
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As imagens permanecem veladas até o início da Vigília Pascal.
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Onde se celebra segundo o Missal de 1962, observem-se as rubricas próprias do rito.
CANTOS
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Os cantos quaresmais devem expressar espírito penitencial e contemplativo.
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Omite-se o Glória (exceto em solenidades) e o Aleluia.
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Recomenda-se repertório que enfatize conversão, misericórdia e esperança pascal.
ALELUIA
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Desde a Quarta-feira de Cinzas até a Vigília Pascal, omite-se o Aleluia em todas as celebrações.
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Antes do Evangelho, canta-se o versículo próprio do Lecionário ou outro texto apropriado.
DEDICAÇÕES E ORDENAÇÕES
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As dedicações seguem as normas próprias, sendo proibidas na Quarta-feira de Cinzas e na Semana Santa.
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As ordenações podem ocorrer nos domingos da Quaresma, respeitando as leituras e normas do dia.
MEMÓRIAS E MISSAS VOTIVAS
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As memórias obrigatórias são celebradas integralmente; as facultativas utilizam apenas a Oração do Dia.
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Aos sábados, pode-se celebrar a memória da Bem-aventurada Virgem Maria com textos próprios.
A PIEDADE POPULAR
- Recomenda-se vivamente:
- Via-Sacra nas sextas-feiras;
- Procissões penitenciais;
- Celebrações da Palavra;
- Recitação do Santo Rosário (mistérios dolorosos);
- Adoração Eucarística.
CONCLUSÃO
- Que esta Quaresma do Ano do Senhor de 2026 seja tempo de autêntica conversão, renovação espiritual e aprofundamento da vida cristã. Fortalecidos pela oração, pelo jejum e pela caridade, caminhemos rumo ao Tríduo Pascal com fé ardente e esperança firme.
Sob a proteção da Bem-aventurada Virgem Maria, especialmente sob o título de Nossa Senhora das Dores, avancemos confiantes neste itinerário espiritual, certos de que a cruz conduz à glória da Ressurreição.

